QUAL A IDADE PARA A PRIMEIRA VEZ?

 

Tal como não existe uma altura certa para estar preparado a iniciar a vida sexual activa, também não existe uma data para a primeira vez. Existem várias razões pelas quais um jovem se pode sentir atraído a ter relações sexuais pela primeira vez: 

  • Como forma de conseguir maior proximidade;
  • Um modo de ter novas experiências;
  • Para provar a maturidade que se alcançou;
  • Para ser como os outros amigos e conhecidos;
  • Como um meio de encontrar alívio de certas pressões;
  • Para investigar os mistérios do amor;
  • Por desejos e atracções sexuais;
  • Por amor.

Embora existam muitos motivos que levam os adolescentes a ter relações sexuais pela primeira vez e continuar a actividade sexual, estes não são todos igualmente válidos, uns são francamente melhores que outros.

Foi feita uma investigação em que se pediu a adolescentes que explicassem o que os levou a ter relações sexuais pela primeira vez. Descobriu-se que:

  • 73% das raparigas e 50% dos rapazes, tiveram relações sexuais pela primeira vez porque se sentiram pressionados a faze-lo!
  • 11% das raparigas e 6% dos rapazes, escolheram o amor como a razão para terem deixado de ser virgens!

Isto é muito preocupante, porque significa que muita gente perdeu a virgindade sem realmente o desejar. Ou seja, há o risco de se começar a vida sexual sem estar verdadeiramente preparado para o fazer.

In, www.sexualidades.info


QUANDO É QUE SE ESTÁ PREPARADO PARA TER RELAÇÕES SEXUAIS?

 

Não existe uma altura certa, para se estar preparado a começar a vida sexual activa. Todos sabemos que somos diferentes uns dos outros, alguns mais altos, outros mais baixos, alguns um pouco gordos, outros demasiado magros, alguns crescem rapidamente outros levam muito tempo a desenvolver-se. É assim, também em relação à sexualidade.

Em termos físicos, podemos dizer que a idade a partir da qual não é perigoso iniciar a vida sexual, é aproximadamente os 14 anos de idade. Mas existem muitas fases ou estádios pelas quais passamos. Ou seja, uma pessoa não passa de criança a adulto de um momento para o outro, todos sabemos que há mudanças. Também não se passa a estar preparado de repente!

É possível saber em que fase estamos fisicamente, e para nos ajudar podemos consultar o seguinte quadro:

Estádio

Pelos do Púbis

Sexo Masculino

Sexo Feminino

1
Pré-adolescente

Não existem.

Testículos, escroto e pénis do mesmo tamanho que na infância.

Genitais e peito da mesma forma e tamanho que na infância.

2
Princípio da adolescência

Pelos compridos ligeiramente encaracolados e um pouco mais escuros, na base do pénis e ao largo dos lábios vaginais.

Escroto ligeiramente maior, pele avermelhada e mais "dura".

Peito e mamilos estão ligeiramente elevados (fase de nascimento).

3
Meio da adolescência

Pelo mais escuro encaracolado e maior quantidade, começa a formação do triângulo invertido (largo em cima, estreito em baixo).

O pénis cresce e o escroto e os testículos aumentam.

Auréola e mamilos aumentam e elevam-se. os lábios vaginais aumentam e a secreção vaginal torna-se ácida.

4
Fim da adolescência

Tipo de pelo do adulto, mas a área ou zona coberta é mais pequena que no adulto.

Um aumento maior do pénis, a pele do escroto escurece.

Os seios crescem, e a auréola e mamilos sobressaem um pouco do contorno do peito, a menstruação aparece e o clítoris matura.

5
Estado adulto

Quantidade e tipo como no adulto, espalha-se de forma igual para os dois sexos, ao longo do interior da coxa.

Forma e tamanho do adulto.

Seios completamente desenvolvidos, fertilidade estabelecida.

Assim, por exemplo, se uma rapariga tiver pelos encaracolados e em quantidade, menstruação e a forma de peito parecida à das mulheres, mas não tem pelos no interior das coxas, então estará provavelmente no estádio 4, final da adolescência. Se um rapaz tiver, alguns pelos pouco encaracolados à volta do escroto um pouco maiores que quando era pequeno com a pele mais avermelhada, então é possível que esteja no estádio 2, princípio da adolescência.

É importante perceber que ao mesmo tempo que as mudanças do nosso corpo vão acontecendo, a sexualidade que está a aparecer permite-nos aprender novas formas de dar e receber carinho, amor, proteção e cuidados. Esta aprendizagem leva tempo e como podes imaginar, só no final da adolescência e princípio da idade adulta é que começamos a estar preparados totalmente, tanto física como psicológicamente, para assumir uma relação de confiança/compromisso, intimidade/ próximidade e paixão/atracção física.

Só numa relação de amor construída deste modo podemos tanto viver plenamente o prazer e os aspectos positivos da relação, como enfrentar os riscos de saúde que o início da actividade sexual envolve.


A INICIAÇÃO SEXUAL


A iniciação sexual (a famosa “primeira vez”...), para a maioria das pessoas, é uma situação de ansiedade, acompanhada de excitação, euforia e medo. Ela pode representar o amor, o afecto, a ternura e a preocupação com o outro, mas pode, também, ser fonte de sentimentos de frustração e de desilusão. Ninguém esquece a primeira relação sexual, porque normalmente fazemos muita “fantasia” e criamos muita expectativa de como vai ser esse momento.

Isso acontece com os homens e com as mulheres (embora, na nossa sociedade, as pessoas pensem que os homens devam sempre saber tudo, ter experiência e não ficar ansiosos, o que é um absurdo que não corresponde à verdade!!!). Tanto os homens como as mulheres sentem, sim, esta ansiedade pelo desconhecido (ou pelo conhecido através dos outros amigos, o que é ainda pior).

O primeiro passo para assumir uma relação sexual é conhecer o próprio corpo e descobrir a sexualidade do outro através da troca de experiências, afecto e carinho, O namoro ou “andar com” serve exactamente para esse conhecimento afectivo e sexual, os beijos, as carícias nos seios e nos órgãos genitais fazem parte dessa descoberta. Não esquecer que, até que ambos os jovens se sintam preparados para assumir uma relação com penetração, a satisfação pode obter-se mediante o uso das mãos e da masturbação um pelo outro ou cada um separadamente.

Para parceiros que estão prestes a manter a primeira relação sexual, é importante que haja diálogo sobre:

·         Se querem mesmo ter a relação. Por exemplo, se o comportamento é voluntário ou por se ter medo de perder o(a) namorado(a).

·         Se é agradável para ambos ou se resulta apenas na satisfação de um só.

·         A contracepção (como prevenir-se de uma gravidez indesejada, que pode acontecer mesmo na primeira vez).

·         As infecções sexualmente transmissíveis, principalmente a SIDA, Hepatites, Herpes, HPV, etc.

·         A importância do uso do preservativo, sobre como usar (colocar, comprar, etc...).

·         O lugar e o momento (privacidade e higiene) da relação (na casa dos pais dela, dele, no carro, etc.).

·         Se ambos são capazes de se envolverem em preliminares e falar acerca do que lhes agrada, excita ou não no corpo de cada um e do outro.

·         Se existe afecto ou se o sexo é apenas um meio de provar algo.

·         Reflectir sobre as pressões familiares e sociais.

Todos estes aspectos devem estar claros para os dois porque são importantes e porque ajudam a atenuar a ansiedade e a preocupação na hora da relação. Por exemplo: ficar a pensar na hora da relação coisas do tipo: “E se a mãe dela voltar para casa...?”, ou “E se eu engravidar?” Produz muita ansiedade, podendo na hora da relação tudo se transformar numa experiência negativa.

Ainda assim, a “primeira vez” pode, fruto das expectativas, fantasias e ansiedade, não resultar tal e qual planeámos. Podemos encontrar algumas complicações. Quer o rapaz como a rapariga vão para a “primeira vez” cheios de expectativas e fantasias.

Os homens ficam excitados com a fantasia (pensamento) ou a visão do corpo da mulher. Às vezes, ficam tão excitados que ejaculam antes da penetração (ou tão nervosos e ansiosos que não conseguem a erecção).

As mulheres demoram mais que os homens para se excitar. Precisam de contactos, beijos e carícias do parceiro, até que a vagina se abra e produza um liquido lubrificante (se a mulher ficar muito nervosa, a vagina pode ficar seca e fechada e, se forçar a penetração, pode doer). A mulher pode estar muito ansiosa e apreensiva e não relaxar, podendo mesmo estar a sentir “culpa” ou preocupada em “perder a virgindade”. Usualmente, a mulher não vai sentir o orgasmo na primeira relação.

Os dois devem conversar sobre isso, explicar e perguntar onde e como cada um sente mais prazer. Ambos precisam de um tempo e novas experiências para conhecer o próprio corpo e o do parceiro, conhecerem-se um ao outro, as melhores formas de estimulação, as posições “certas”, o controlo da ansiedade, etc...

Na primeira relação sexual, a maioria das pessoas tem medo de não “acertar” como se existisse um manual ideal de fazer sexo!!!

A nossa fantasia de como é a relação sexual deve-se a filmes, livros, relatos exagerados dos amigos (“Foi muito difícil”; “Eu não senti nada de especial”; “Acho que foi muito bom”), que nem sempre correspondem à realidade. Mas, na verdade, cada casal vai encontrar a sua forma, a sua maneira mais sensual de fazer sexo. Por definição, a virgindade é não ter tido nenhuma relação sexual (tipo coito pénis-vagina).
Mas, seja como for, na primeira relação sexual com o coito (penetração) há o rompimento do hímen e muitas pessoas sentem ansiedade e medo desse rompimento, achando que vai doer muito, hemorragias abundantes, etc.

O hímen, que é uma película fina, não têm função biológica, porém parece ter uma função “moral”, pois a nossa cultura tende a relacionar a presença do hímen à virgindade sexual. Isso, no entanto, é uma adequação, pois o hímen existe de diferentes formas (uma delas é tão elástica que não se rompe na penetração) e, às vezes, pode romper-se de outras maneiras: uso de tampão e prática de hipismo, por exemplo.

Algumas raparigas sentem dor na primeira relação sexual porque o seu hímen está intacto e rompe-se com a penetração. Pode haver até uma pequena/média hemorragia vaginal. Mas não é nada de alarmante ou insuportável.

Algumas pessoas nem percebem a ocorrência dessa hemorragia, seja porque essa hemorragia pode variar, dependendo do tipo de hímen, podendo mesmo já ter sido rompido parcialmente em outras tentativas de penetração.

Isso significa que é falso que a mulher deverá sangrar quando perde a virgindade. Outra ideia falsa e que é importante clarificar, é que na primeira vez a mulher não engravida. A probabilidade de uma mulher engravidar na primeira vez é igual à das restantes vezes que se tiver relações sexuais. Assim como, tem a mesma de contrair doenças sexualmente transmissíveis.

Em suma, a primeira vez é diferente de pessoa para pessoa e varia com o grau de confiança/compromisso, intimidade e paixão/atracção física que se tem com o companheiro (a). Quanto maior for a intensidade destas três coisas, melhor será a relação amorosa, e maior será a probabilidade de que a primeira vez seja uma experiência diferente e positiva.

Para terminar é importante salientar que SE PODE ENGRAVIDAR:

·         Na primeira vez que se tem relações sexuais;

·         Mesmo se se tiver relações sexuais de pé;

·         Mesmo se se tiver relações sexuais durante o período menstrual;

·         Mesmo se a rapariga não chegar ao orgasmo;

·         Mesmo se o pénis não penetrar na vagina, mas o rapaz ejacular perto da vulva;

·         Mesmo se o rapaz tirar o pénis antes da ejaculação.

Além disso, PODE HAVER RISCO DE TRANSMISSÃO DE UMA INFECÇÃO:

·         Mesmo que o parceiro ou a parceira não pareçam doentes;

·         Mesmo que nunca saiba que tem uma infecção;

·         Mesmo que esteja muito apaixonado.

Por isso, para nos protegermos de uma gravidez indesejada e de uma infecção sexualmente transmissível, é indispensável o uso de preservativo, e de preferência associado ao uso de outro método contraceptivo (ex. Pílula).

CAJ - Centro de Atendimento a Jovens de Coimbra - 2006


COMO É QUE POSSO SABER SE É A PESSOA CERTA?


Para saber se é a pessoa certa precisamos de a conhecer muito bem. O que às vezes leva bastante tempo. Acontece que, na adolescência a sexualidade aparece, e temos a sensação de que precisamos de conhecer tudo e que tudo se pode fazer rapidamente, começando muitas vezes sem se estar preparado.

No entanto, para nos conhecermos a nós e ao eleito do nosso amor, necessitamos de tempo. A pessoa certa é aquela com quem conseguimos sentir uma grande intimidade e paixão, com quem tomamos em algumas ocasiões a decisão/compromisso de continuar juntos por muito tempo.

Mas na adolescência, acontece que sentimos muitas vezes paixões arrebatadoras que acabam em poucas semanas, ou relações amorosas que achamos estáveis mas que acabam por não durar mais de um ano. Assim, durante a adolescência é provável ter vários namorados ou namoradas com quem se têm relações sexuais, ou seja, vários parceiros sexuais. Isto sem falar de que é possível que se seja infiel e que se tenham aventuras de uma única noite.

Então a adolescência é uma altura da nossa vida em que corremos muitos riscos. Os comportamentos sexuais de risco podem ter duas consequências graves. A primeira é a possibilidade de uma gravidez acontecer. A segunda é o grave risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis, ou seja, ficar com uma doença porque se tiveram relações sexuais sem protecção.

Deste modo, sempre que possível, é melhor pensar bem, dar algum tempo, conhecer-se bem um ao outro, descobrir as muitas formas de transmitir amor e carinho sem ter relações sexuais, e os diferentes modos de dar e obter prazer (através de beijos, carícias, etc.), aprender quais as coisas que os dois gostam de fazer juntos, quais as que não, etc.

Quando achamos que estamos preparados para começar a vida sexual activa, e/ou pensamos que encontrámos a pessoa ideal, o preservativo tem então um papel importantíssimo. Bem utilizado, o homem evita uma gravidez não desejada e protege-se tanto a si como à sua companheira das doenças sexualmente transmissíveis.

É importante lembrar-nos que mesmo se achamos que encontrámos a pessoa ideal, e que já estamos à muito tempo com ela, tendo uma relação estável, é sempre preferível esperar o maior tempo possível antes de deixar de usar o preservativo, único método contraceptivo que é capaz de nos proteger de doenças tão graves como a SIDA.

In, www.sexualidades.info



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