O primeiro sintoma de puberdade nas raparigas é o crescimento dos seios. Os mamilos aumentam de tamanho e os seios ficam muito sensíveis e doridos. É bom que saibas que os seios têm ritmos de crescimento diferentes e que é provável que, a princípio, um deles seja maior do que o outro. Não te preocupes porque isso é perfeitamente normal e, com o passar do tempo, irão ficar sensivelmente do mesmo tamanho (embora um seja sempre ligeiramente maior do que o outro). 

Contrariamente ao que sucede com os rapazes, a maior parte dos órgãos sexuais femininos fica no interior do corpo da mulher. Chama-se vulva ao conjunto dos órgãos sexuais femininos. Nesta designação, incluem-se o monte-de-vénus, os lábios vaginais, o clítoris e o vestíbulo vaginal. 

O monte-de-vénus é a única parte da vulva que pode ser observada do exterior. Trata-se da parte carnuda que cobre o osso púbico. Durante a puberdade, esta zona torna-se mais proeminente e fica coberta por pêlos púbicos. 

Os lábios vaginais — conhecidos por grandes lábios (lábios externos) e pequenos lábios (lábios internos) — são constituídos por tecido adiposo e contêm um grande número de glândulas que segregam óleo e glândulas sudoríferas que humidificam a vagina, impedindo que seque e fique em chaga. Na puberdade, os lábios externos tornam-se mais carnudos e cobrem-se de pêlos púbicos; os lábios internos também se tornam mais carnudos e húmidos, mas continuam desprovidos de pêlos e extremamente sensíveis. É vulgar as raparigas preocuparem-se com os seus lábios vaginais. Numas raparigas, os lábios internos são mais saídos do que os externos; noutras, os lábios internos ficam retraídos em relação aos externos. Há raparigas que se preocupam por os seus lábios serem muito grandes ou penderem, mas, tal como acontece com as restantes partes do corpo, o tamanho e o comprimento varia de pessoa para pessoa. 

O clítoris fica no topo dos lábios internos. Assemelha-se a uma bolinha e é extremamente sensível. Tem por única finalidade proporcionar prazer sexual. 

O vestíbulo é a zona situada entre os lábios internos. Na parte anterior dessa zona, fica o orifício da uretra (por onde a urina sai do corpo) e, na parte posterior, fica o orifício da vagina, que pode estar parcialmente coberto pelo hímen, uma fina camada de pele que se rompe facilmente durante o acto sexual, ou até durante qualquer prática desportiva mais vigorosa. 

A vagina fica no interior do corpo. A vagina é um canal muscular que desempenha várias funções: serve para escoar o fluxo menstrual do útero, funciona como canal de nascimento durante a gravidez e é o local onde o pénis se insere durante o acto sexual. Na puberdade, a vagina aumenta de comprimento e de largura. Na parte superior da vagina, fica a cervix (colo do útero). Na puberdade, a cervix e a vagina começam a produzir corrimento, um fluido que é geralmente transparente ou branco. Não te preocupes com isso. Essa secreção de muco e fluido é uma forma de limpeza da vagina. Algumas raparigas notam que o seu corrimento muda de cor alguns dias antes de lhes aparecer o período. Se provocar comichão e cheirar mal, pode ser sintoma de infecção. Por vezes, as mulheres têm infecções vaginais, mas geralmente passam depressa com a ajuda do médico. Se for caso disso, consulta um médico. Não tentes combater o cheiro da vagina com desodorizantes ou soluções vaginais. É completamente normal e natural que a tua vagina tenha um cheiro almiscarado. 

As trompas-de-falópio são dois canais que partem do útero. Na extremidade das trompas ficam os ovários, onde estão armazenados os ovos ou óvulos. À nascença, os ovários de uma rapariga contêm entre 3 e 4 milhões de óvulos imaturos. Quando o período surge pela primeira vez, esse número já se reduziu para cerca de 500 000 (os outros óvulos foram reabsorvidos pelo organismo). Os ovários aumentam de tamanho durante a puberdade, em resposta a hormonas libertadas pelo cérebro. À medida que vais crescendo, os ovários vão produzindo estrogénio, uma hormona que desencadeia o crescimento de todos os outros órgãos sexuais e provoca o amadurecimento dos óvulos imaturos. Os ovários libertam todos os meses um óvulo já amadurecido (ovulação), que desce pelas trompas-de-falópio até ao útero. 


O período 

Período, menstruação, estar com a história, estar com o chico... a lista de nomes associada ao período é interminável e faz com que algumas raparigas temam a menstruação. 

Do mesmo modo, termos como SPM (síndrome pré-menstrual), TPM (tensão pré-menstrual), dores menstruais, tampões, pensos higiénicos, corrimento e ciclo ovulatório fazem com que o período pareça uma coisa confusa e assustadora. Mas a verdade é que, quer estejas ansiosa por tê--lo, quer não, o período é um bom indicador de que o teu organismo funciona bem. O período significa que, do ponto de vista físico, estás sexualmente madura. Não quer dizer que sejas obrigada a fazer sexo, ou que estejas emocionalmente preparada para o fazer; só quer dizer que o teu organismo está apto a ter um bebé e que podes engravidar se tiveres relações sexuais. 

O que é o período? 

O período ocorre todos os meses, quando o organismo se prepara para uma possível gravidez. Um óvulo liberta-se de um dos ovários e desce pelas trompas-de-falópio até ao útero. Durante a descida do óvulo através da trompa, o útero prepara-se para a chegada, forrando, de tecido, as suas paredes. Se o óvulo não tiver sido fecundado pela união com um espermatozóide (e só terá se tiver havido relações sexuais), o forro rompe-se e é expelido. Um período é, portanto, uma mistura de sangue (o equivalente a 2 ou 3 colheres de sopa, embora pareça muito mais), revestimento uterino (mucosa uterina) e fluido. O período tem uma duração aproximada de cinco dias, às vezes um pouco mais. 

Menarca 

O primeiro período de uma rapariga chama-se «menarca» e pode ocorrer em qualquer idade. Geralmente acontece depois do crescimento dos seios e do aparecimento dos pêlos púbicos, embora isso dependa muito do relógio biológico de cada pessoa. A data exacta para o aparecimento do teu período é determinada pelas tuas hormonas e configuração genética. 

Períodos regulares e irregulares 

De início, não esperes que o período apareça sempre na mesma altura todos os meses. É muito provável que, durante os dois primeiros anos, o teu período seja irregular ou até que, por vezes, não apareça. Isso é perfeitamente normal porque demora um certo tempo a regularizar-se. À medida que os teus ovários forem amadurecendo, os períodos irão caindo num ciclo de 28 dias (às vezes mais longo, outras vezes mais curto). 

Contagem do ciclo 

O ciclo começa no primeiro dia em que aparece o período. Por exemplo, se o período começar no dia 15 de Janeiro e contares 28 dias a partir dessa data, ficarás a saber que a data provável para o aparecimento do próximo período (o primeiro dia em que aparece o sangue) será o dia 12 de Fevereiro. 

Dores, TPM e que fazer 

Calcula-se que cerca de 90 % das mulheres sofre de TPM (tensão pré-menstrual) e de dores menstruais em determinadas alturas da vida. A TPM é causada pelas hormonas e pode apresentar-se sob uma grande variedade de sintomas, como sejam inchaço, mau humor, borbulhas, vontade de chorar e dores de cabeça, para não aumentar ainda mais a lista. 

Podes passar melhor se: 

  • Fizeres uma dieta saudável, comendo muita fruta fresca e muitos legumes; 
  • Evitares os açúcares, as bebidas gaseificadas, o café e os alimentos gordurosos. Todas estas coisas dificultam o funcionamento do sistema digestivo e podem tornar o período ainda mais desconfortável. 
São os músculos do útero — ao contraírem-se para expelirem o revestimento uterino (mucosa uterina) — que provocam as dores menstruais. 

Ajuda-te a ti própria: 

  • Pondo um saco de água quente na barriga para ajudar a relaxar os músculos; 
  • Fazendo exercício. Deve ser a última coisa que te apetece fazer, mas o exercício liberta endorfinas (produtos que o próprio organismo segrega para matar as dores), que ajudam a aliviar as dores menstruais; 
  • Comendo saudavelmente; 
  • Comprando na farmácia produtos para as dores (mas aconselha-te primeiro com o teu médico ou farmacêutico). 

Que tipo de protecção usar? 

Uma das coisas mais confusas relacionadas com o período é a escolha do tipo de protecção higiénica que se deve usar. Com o mercado a abarrotar de ofertas de todos os tipos (tais como toalhetes higiénicos, pensos higiénicos finos, pensos higiénicos normais, pensos higiénicos para a noite, tampões sem aplicador, tampões com aplicador, etc.), o melhor que tens a fazer é ires experimentando até encontrares o que mais te convém. Aconselha-te com as tuas amigas, com a tua mãe e com as mães das tuas amigas e escolhe aquilo que te faça sentir melhor. 

Tampões 

Mito: só as mulheres que já tiveram relações sexuais é que podem usar tampões. 

Qualquer rapariga que esteja com o período pode usar tampões. Os tampões são rolos de algodão com um fio pendurado numa das pontas. Inserem-se na vagina com a ajuda de um aplicador de cartão ou de plástico, ou com o dedo, ficando o fio pendurado por fora dos lábios vaginais para que se possa removê-los facilmente quando estiverem sujos. Não dês ouvidos a histórias que se contam sobre tampões que ficaram perdidos dentro do corpo porque isso é impossível. Se, por acaso, tiveres dificuldade em retirar um tampão, dirige-te ao centro de saúde, onde o teu médico ou uma enfermeira habilitada o retirarão rapidamente e sem qualquer problema. 

Há muitas raparigas que não conseguem usar um tampão à primeira tentativa. Pode ser difícil introduzir o tampão por os músculos da vagina estarem muito tensos, ou por o hímen ainda estar intacto. Se isso suceder, não insistas e experimenta outra vez quando estiveres menos ansiosa. Talvez seja melhor usares um tampão mais fino: tem o mesmo grau de absorção de um tampão normal e é mais fácil de introduzir precisamente por ser mais fino. 

Tenta só quando estiveres com o período. Tentar introduzir um tampão quando não se está com o período é uma pura perda de tempo porque a vagina está muito seca. Assegura-te de que usas o tampão com o grau de absorção indicado para o teu caso (regular, super ou super plus, de acordo com o que o fluxo menstrual exigir) e não te esqueças de o mudar com frequência (geralmente de quatro em quatro ou de oito em oito horas). 

Se verificares que precisas de mudar um tampão regular menos de quatro horas após a inserção, é porque precisas de usar um tampão com um grau de absorção maior. Contudo, verás que só precisas de usar um tampão super durante alguns dias do período, uma vez que o fluxo sanguíneo é mais intenso nuns dias do que noutros. 

Há mulheres que sentem uma ligeira sensação de borbulhar quando o tampão, que estão a usar, precisa de ser mudado. O que provoca essa sensação é o fluxo sanguíneo e é sinal de que o tampão já não consegue absorver mais sangue. Mesmo que não sintas nada disso, podes sempre ficar a saber se está na altura de mudar o tampão indo à casa de banho. É claro que o tampão não evita por completo as fugas, mas o sangue nunca sai às golfadas, escorre só ligeiramente. 

O uso de um tampão super não significa que ele aguente mais tempo do que um tampão normal. Estes tampões destinam-se às raparigas com fluxos menstruais muito abundantes, que requerem um grau de absorção maior do que aquele que um tampão normal oferece. Podes usar o mesmo tampão durante toda a noite, mas deves mudá-lo mal acordes na manhã seguinte. 


Síndrome tóxica súbita 

Repara que, na embalagem dos tampões, vem um aviso sobre a síndrome tóxica súbita. Trata-se de uma síndrome muito rara, causada por uma multiplicação muito rápida de bactérias, que são logo de seguida absorvidas pela corrente sanguínea. Isso sucede quando ocorre um desenvolvimento de bactérias no tampão, sendo por esse motivo muito importante que mudes de tampão com frequência. Se te sentires desconfortável, doente ou estonteada, retira imediatamente o tampão. 

Pensos higiénicos 

Mito: toda a gente nota quando se usa um. 

Hoje em dia, os pensos higiénicos são tão finos que é impossível alguém notar que estás a usar um. Há raparigas que preferem usar pensos higiénicos. Contrariamente ao que se diz, eles não são pouco higiénicos, desde que sejam mudados regularmente. Escolhe aqueles com que te sintas melhor, experimentando várias marcas. Quase todos vêm embalados discretamente e trazem umas tiras adesivas que os prendem às cuecas. O lado desagradável dos pensos higiénicos reside no facto de permitirem fugas mais facilmente do que os tampões, especialmente quando escorregam para um dos lados ou nos esquecemos de os mudar. Contudo, os pensos com «abas» adesivas, para impedir que saiam do lugar, também evitam melhor estas fugas. Quando deitares fora os pensos higiénicos, procede como deve ser. Sempre que possível, envolve-os em papel higiénico ou mete-os num saco e coloca-os num recipiente apropriado ou no caixote do lixo. Se nada disso for possível, resta-te outra opção menos amiga do ambiente, que é a de os deitares para a sanita, já que a grande maioria se dissolve na água. 


Seios 

Ter seios faz parte de ser mulher. Como é óbvio, a principal função dos seios é alimentar os bebés, sendo por esse motivo que eles são constituídos maioritariamente por depósitos de gordura e glândulas, que produzem leite quando se dá à luz um bebé. 

Não tenhas complexos com os teus seios. Os seios são todos diferentes uns dos outros — uns são grandes, outros são pequenos, uns são descaídos, outros são espetados. Tenhas os seios que tiveres e sintas o que sentires acerca deles, os teus seios são normais. 

Ajuda-te a ti própria: 

  • Usa o tamanho certo de soutien. Não te espremas para caber num tamanho demasiado pequeno porque acabarás por te sentir desconfortável e pouco atraente. Os seios grandes, tal como os seios em formação, necessitam de suporte adequado. 
  • Pede ajuda. Dirige-te a uma loja e pede a uma empregada especializada que te ajude a encontrar o tamanho certo. Parece embaraçoso, mas não é. É uma operação feita com uma certa privacidade: a funcionária tira-te as medidas por debaixo e à volta dos seios para saber o tamanho do teu peito e determinar o tipo de caixa de soutien que te convém. 
Não desesperes se não conseguires encher um soutien. Não há idade fixa para os seios começarem a desenvolver-se. Há raparigas que começam a ter peito aos 10 anos, enquanto outras só começam por volta dos 16. Se não encontrares nenhum soutien para adulto que te sirva, compra um para adolescentes. 

Não gastes dinheiro em dispositivos ou cremes especiais para fazer crescer o peito. Os seios são constituídos exclusivamente por gordura e glândulas, e não por músculos. Assim, também quaisquer exercícios que faças afectarão unicamente os músculos que os sustentam. 

Ter um peito pequeno não significa não ser sexy. A teoria de que os rapazes só gostam de raparigas com peito grande é uma perfeita idiotice. 

O facto de se terem dois seios não implica que eles sejam iguais. Um dos seios pode ser ligeiramente diferente do outro e é vulgar, na puberdade, um deles ser bastante maior. Se isso te acontecer, não te preocupes — o seio mais pequeno logo se aproximará do tamanho do outro, embora possam não ficar exactamente iguais. 

Os seios granulosos também são muito normais durante a puberdade. Há seios que são mais granulosos do que outros, especialmente por altura do período. Um caroço não significa necessariamente cancro. Na realidade, o cancro da mama é muito raro antes dos 30 anos.

In: NAYK, Anita – Sexo, Tudo o que precisas saber. Colecção Geração Fixe, Gradiva, 2001