Os métodos contraceptivos naturais baseiam-se no conhecimento do período de fertilidade da mulher, período em que pode ocorrer a fecundação, evitando que a mulher engravide.

Este conhecimento consiste em calcular o período fértil da mulher evitando que haja fecundação. Existem diversos métodos contraceptivos naturais que seguem este principio e que exige que os parceiros se conheçam muito bem a nível sexual.
Estes métodos contraceptivos não protegem o casal das doenças sexualmente transmissíveis e implicam uma atenção diária à excepção do método do calendário. Mesmo assim, tenha em consideração que estes métodos contraceptivos têm uma taxa de eficácia, principalmente em jovens e adolescentes, relativamente baixa.


MÉTODOS NATURAIS:


Abstinência
Abstinência significa evitar relações sexuais e pode ser considerada um método contraceptivo. Quando falamos de abstinência neste caso o objectivo é evitar a introdução do pénis na vagina, uma vez que o propósito é impedir a gravidez.
Outras actividades sexuais não têm de ser alvo de abstinência para que seja evitada a gravidez.
Este método não protege das doenças sexualmente transmissíveis.

Vantagens:
  • A abstinência é gratuita e acessível a toda a gente.
  • É o único método 100% eficaz na prevenção da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis.
  • Pode ser iniciado e terminado em qualquer altura.
Desvantagens:
Para conseguir manter a abstinência vai ser necessário manter-se firme e determinado e podem surgir ocasiões ou situações em que voluntária ou involuntariamente haja uma relação sexual inesperada. Nesse momento, este método contraceptivo natural falhou e o risco de uma gravidez torna-se muito real.
Por outro lado, para muitas pessoas, não ter relações sexuais pode ser frustrante e trazer mesmo alguns problemas psicológicos.


Coito interrompido
O coito interrompido não é método contraceptivo mas poderia ser considerado um método contraceptivo natural. No entanto, é importante referir o coito interrompido pelo facto de ser utilizado frequentemente.
O coito interrompido consiste em retirar o pénis da vagina antes de haver ejaculação.
É um método contraceptivo muito pouco seguro porque antes da ejaculação são produzidos fluidos seminais que têm uma função lubrificante que já podem conter espermatozóides.
Este método não protege das doenças sexualmente transmissíveis.

Vantagens:
  • É grátis e toda a gente pode experimentar.
  • É uma hipótese como método contraceptivo quando não se dispõe de mais nenhum.
Desvantagens:
  • A reduzida eficácia em prevenir a gravidez.
  • Implica uma interrupção da relação sexual o que pode provocar ansiedade em ambos os parceiros podendo também ser causa de futuros distúrbios.

Método do calendário (método de Ogino-Knaus)
Este método consiste em determinar o período em que se deve evitar o coito vaginal, mediante o cálculo antecipado do provável dia da ovulação, variável de mulher para mulher, tendo como base a duração de uma série de ciclos anteriores. Para tal, é preciso registar a duração de seis a doze ciclos menstruais consecutivos, de modo a determinar-se o mais curto e o mais longo, informações a partir das quais são realizadas operações matemáticas que permitem estabelecer o período em que se deve manter a abstinência sexual.
Existem várias formas para se proceder aos cálculos, baseadas nos trabalhos de Ogino e de Knaus. Uma das formas mais simples consiste na subtracção de 20 ao número de dias do ciclo mais reduzido e do ciclo mais longo, o que permite obter dois valores, em que o primeiro corresponde ao primeiro dia do ciclo a partir do qual se deve evitar o coito e o segundo ao dia do ciclo até ao qual se deve manter a abstinência sexual. Por exemplo, caso um ciclo mais curto seja de 27 dias e o mais longo de 32, os cálculos dariam estes resultados: 27 - 20 = 7; 32 - 20 = 12. Neste exemplo, o período de abstinência deve prolongar-se desde o sétimo dia do ciclo até ao décimo segundo, considerando o dia de início do período como o primeiro do ciclo.

Método da temperatura basal
Este método baseia-se no facto de a temperatura do corpo da mulher sofrer uma alteração significativa entre a primeira metade do ciclo menstrual e a segunda, já que o dia da ovulação proporciona um aumento de 0,2° a 0,5°C, persistindo até ao final do ciclo. A mulher deve medir a temperatura do corpo todos os dias de manhã, antes de se levantar, de preferência com um termómetro adaptado a esta situação, e registar os resultados num gráfico, de forma a elaborar uma curva com as variações diárias. De acordo com este método, deve-se proceder a uma abstinência sexual durante toda a primeira parte do ciclo e três dias após a manifestação de um aumento sustentado da temperatura basal.

Método de muco cervical (método de Billings)
Este método baseia-se na identificação das alterações sofridas pelo muco elaborado pelas glândulas do colo do útero sob a influência das hormonas sexuais femininas ao longo do ciclo menstrual, o que pode ser perceptível através das alterações das secreções presentes na entrada da vagina ou da vulva. Nos dias seguintes ao período, o muco é muito espesso e forma um tampão que obstrui o orifício do colo do útero, o que justifica o facto de praticamente não existirem secreções (dias secos). Em seguida, começam a evidenciar-se secreções que, inicialmente, são escassas e pegajosas, mas que se vão progressivamente tornando abundantes e fluidas até ao momento da ovulação (dias húmidos), para depois se tornarem mais espessas e diminuírem em quantidade. Para realizar este método, a mulher tem de aprender a reconhecer as alterações do muco cervical sob as instruções de um médico. Segundo este método, pode-se manter relações sexuais durante os dias secos, desde que sejam realizadas em dias alternados para se evitar o risco de se confundir o aparecimento de secreções com restos de sémen, devendo-se iniciar a abstinência logo que se detecte a presença de secreções (dias húmidos), continuando até ao quarto dia após o momento em que se tenha detectado o pico de máxima secreção e fluidez do muco cervical.

Vantagens e inconvenientes
As principais vantagens destes métodos são o facto de não necessitarem da utilização de qualquer substância química ou dispositivo especial, nem interferirem no mecanismo natural do ciclo menstrual. Para além disso, deve-se destacar que são os únicos métodos contraceptivos aceites pela Igreja Católica.
Todavia, os inconvenientes são muito mais numerosos, começando pelos possíveis conflitos consequentes de uma insatisfação sexual no casal, devido à necessidade de se evitar o coito vaginal durante certos dias de cada ciclo e, consoante o método, durante grande parte do mesmo. Para além disso, todos estes métodos necessitam da oportuna vigilância de um especialista e alguns exigem uma larga aprendizagem. Contudo, o principal inconveniente é o elevado índice de insucessos existentes no total dos casais que utilizam estes métodos contraceptivos.

Eficácia
A eficácia dos métodos naturais baseados na abstinência periódica é, no total, muito baixa, sobretudo quando comparada com a de outros métodos contraceptivos. Segundo diferentes estudos, a taxa de insucessos anuais do método do calendário oscila entre os 15 e os 33%, enquanto que a do método da temperatura basal situa-se entre os 3 e os 19% e o método do muco cervical é de 1,5 a 25%.